Chá com a tia Bete!

Uma vez por mês eu, minha mãe, minhas tias e primas nos reuníamos na casa de uma delas para passar algum tempo juntas e colocar a conversa em dia. Sem maridos ou filhos por perto, relaxávamos, trocávamos receitas, dicas de maquiagem, decoração e tomávamos chá! Era uma ocasião que esperávamos com ansiedade, tínhamos até um conjunto de chá especificamente para esse dia. Era tudo simples, sem muito requinte, e os bolos, as tortas e os salgadinhos, eram feitos por nós; e uma bebida que era comum em todas as reuniões era o chá gelado de morango, que apesar de ser gelado, bebíamos em uma xícara só para fazer uma frescurinha! Era o único item do cardápio que se repetia em todas as reuniões porque era prático, leve, saboroso e porque minha tia Bete adorava! Esse post é em homenagem à ela que faria 60 anos hoje, e não está mais aqui! Carinhosa com todos e de personalidade vibrante, a sua ausência tirou o brilho dos nossos encontros. Nunca mais nos reunimos, e o conjunto de chá foi doado quando sua presença no armário trazia lembranças dela. Mas me recusei a deixar essas lembranças desaparecerem por medo da saudade, separei duas xícaras para mim e guardei, onde eu pudesse ver, até que decidi que ao invés de lembrar do aniversário da sua morte, passaria a lembrar do aniversário de seu nascimento, que foi quando a nossa família foi presenteada com a sua alegria, sua risada contagiante e a delicadeza do seu jeito de ser. Um brinde à ela que apesar do tempo longe de nós, ainda me arranca lágrimas toda vez que falo dela!!

chá de morango cremoso

 

CHÁ CREMOSO DE MORANGO

Ingredientes: 1/2 litro de água gelada, 3 sachês de chá de morango abertos, 6 morangos grandes maduros lavados e sem o cabinho, 1 caixinha de creme de leite, açúcar à gosto.

Bata tudo no liquidificador menos o creme de leite. Passe a mistura por uma peneira, devolva ao liquidificador e então acrescente o creme de leite batendo para misturar. Sirva gelado e em lindas xícaras.

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Uma receita que pode salvar gerações!!

Eis-me aqui, de volta! Se passou muito tempo, mas ele não foi perdido! Nesse período novas histórias foram contadas, novas memórias foram criadas e novos sabores experimentados. Mas de todas as descobertas que fiz durante minha ausência no blog, a mais rica foi um livro: In Memory’s Kitchen – A Legacy From The Women Of Terezín! Fico emocionada de falar dele! Recheado de histórias, dor , superação e sabores. Eu o considero um tesouro, não pelas receitas em si, mas pela circunstância em que foram escritas, reunidas e entregues ao mundo. Me faz pensar em como somos negligentes com a nossa herança familiar, enquanto Mina Patchter se recusou a ter a sua perdida depois de sua morte. O livro é uma compilação de receitas escritas por mulheres no campo de concentração de Terezín, na Polônia, ante sala de Aushwitz. No verso de propagandas nazistas, com pedaços de carvão e em poucas e às vezes ilegíveis palavras, elas escreviam suas receitas de família e as escondiam em orifícios nas paredes dos alojamentos, em uma última tentativa de sobreviver de alguma forma. Mina Patchter em 1942, juntou todas elas e através de um amigo conseguiu  enviá-las para Nova York, para a filha, que só recebeu o embrulho em 1969. Não é um livro, é um presente das mulheres que recusaram permitir que o nazismo destruíssem suas raízes e sua fé!

livro capa

Infelizmente ele não está traduzido para o português, mas mesmo quem não entende uma palavra em inglês pode folhear o livro e sentir a energia que as palavras emanam. Estou dizendo, é mágico!! Espero que gostem! Até breve!

 

Do fundo do baú!

Outro dia entrei na casa de alguém e um aroma muito familiar me levou de volta aos oito anos de idade. Era o cheiro de batata doce cozida! Morávamos na cidade de Campinas, e na época havia muita fartura de alimentos, já que a região era produtora de vários tipos de frutas, legumes e tubérculos; então era comum as mães inventarem moda com os alimentos para aproveitá-los e dar uma variada. O cheiro da batata doce me trouxe na boca o gostinho de uma torta que minha mãe fazia e que eu nem me lembrava mais, então, fui ao resgate da receita, só que minha mãe nunca teve uma. Ela disse que apenas misturava alguns ingredientes e despeja em uma massa de torta, levando ao forno por alguns minutos. Os únicos ingredientes que ela achava se lembrar, era leite condensado e ovos. Mais uma vez, arregacei as mangas e fui para a cozinha em busca dos sabores da minha infância, e o resultado mais próximo que consegui chegar foi esse aí! Fiquei feliz com o resultado, espero que gostem!!

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TORTA DE BATATA DOCE D. LUIZA

Ingredientes recheio: +/- 1kg de batata doce roxa cozida, 2 ovos inteiros, 1 lata de leite condensado, 3 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente, 1 colher (café) de canela em pó, 1 lata de creme de leite sem soro. Massa: 1 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo, 1/2 xícara (chá) de açúcar, 3 colheres (sopa) de manteiga em temperatura ambiente, 2 gemas, 1 colher (chá) de fermento em pó, 1 colher (chá) de raspas de laranja (opcional).

Primeiro prepare a massa: coloque todos os ingredientes em uma tigela e misture com as mãos até ficar uma farofa bem úmida, forre o fundo e as laterais de uma assadeira untada e reserve. Para o recheio, deixe amornar as batatas e depois passe-as pelo espremedor ou peneira. Leve à batedeira com a manteiga, o leite condensado, o creme de leite e a canela misturando bem. Acrescente os ovos um a um e misture até tudo ficar homogêneo. Despeje sobre a massa e asse em forno a 180ºC por +/- 30 minutos ou até que a superfície doure. Sirva morna.

 

 

 

Minha infância tem gostinho de alho!

Minha avó Adalgisa era uma mulher que sabia aproveitar tudo e qualquer sobra! De um pedaço de cenoura ela era capaz de fazer uma sopa, da água do cozimento de beterrabas um nutritivo pudim e de sobras de pão deliciosas torradinhas que ela servia com manteiga e chá. Nunca soube de uma receita, nem nunca a vi preparando, mas tenho uma lembrança quase apagada de uma manteiga temperada. Quase sinto o gostinho das ervas, do alho e um sabor bem salgadinho. Como disse, não tenho receita, então tive quase que fazer uma regressão para tentar descobrir de quais sabores me lembrava. A lembrança mais vaga que tenho, eu devia ter uns sete anos e estava na rua brincando com um galho de árvore (fingia que era meu bebê) e depois minha avó me levou para dentro e comemos as torradas. Pode parecer uma lembrança boba, mas por algum motivo ela não se apagou totalmente, e eu acho que é graças às torradinhas com manteiga.

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MANTEIGA TEMPERADA

Ingredientes: 3 dentes de alho grandes, 200 grs. de manteiga em temperatura ambiente, 1 colher (sopa) de salsinha ou alecrim, se a manteiga for sem sal, acrescente à gosto.

No processador ou liquidificador, coloque todos os ingredientes e bata até que as ervas e o alho se desfaçam. Coloque em uma mantegueira ou em um pedaço de plástico filme fazendo um pequeno “rocambole” prendendo as pontas como bala, e leve à geladeira para firmar.

Raízes vegetarianas!

A maior parte da minha vida eu fui vegetariana. Fui criada pela minha avó paterna que me ensinou a gostar de carne vegetal, sopa de legumes e cevada, e foi a fase que eu consegui manter o peso por mais tempo na vida. Hoje não sou radical: como carne, mas prefiro as versões mais naturebas. Muita gente pensa que é um tipo de comida sem gosto e sem graça, mas posso afirmar que fica igualzinho ao molho de carne de boi!  Eu coloquei alguns ingredientes opcionais, como o leite e caldo de legumes industrializado, para não ser tão severa com quem vai provar pela primeira vez. É possível ter uma refeição vegetariana e saborosa, e o segredo está nos temperos! Quem vai experimentar primeiro??

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POLENTA COM MOLHO DE PROTEÍNA VEGETAL

Ingredientes: 100grs. de proteína vegetal desidratada, 1 xícaras (chá) de fubá, 700ml de água (aproximadamente), 6 dentes de alho, ½ cebola picada, 400ml de molho de tomate, 2 folhas de louro, 1 colher (chá) de cominho, azeite, sal e pimenta do reino à gosto, salsa ou coentro picada à gosto.

Reidrate a proteína vegetal despejando água bem quente sobre ela em uma peneira. Reserve. Pique 3 dos dentes de alho e refogue no azeite com a cebola, acrescente a proteína e o molho de tomate. Tempere com, sal, cominho, pimenta, louro e por último a salsa ou o coentro, e deixe apurar. Em outra panela, aqueça o azeite e refogue o alho restante, coloque a água e deixe ferver. Tempere com sal (se desejar coloque um cubo de caldo de legumes), acrescente o fubá diluído em um pouco de água (diluir no leite deixa muito mais cremoso) e deixe cozinhar mexendo sempre. Sirva imediatamente com o molho por cima.

Um dia de Domingo!

Vó é tudo de bom, né? Acho que a gente só aprende cozinhar mesmo depois que vira avó! Se elas temperam um prato com sal e alho, fica divino!! Fazem misturas que jamais faríamos, e fica ótimo! Essa receita é uma dessas misturas, que quando o almoço de Domingo na casa da minha avó Jacira comportava mais gente do que ela esperava, era o que salvava o dia! E todos adoravam e adoram até hoje, não há como citar o nome dela sem falar do seu famoso arroz de forno. Não existe nenhuma anotação sobre ela, eu apenas puxei pela memória, fiz algumas ligações e “voilà”. Não ficou exatamente igual, mas vou continuar praticando até encontrar a quantidade ideal de pimenta, de sal, de alho e a receita certa para não esquecer jamais daqueles dias em que eu era criança e a vida era perfeita! 

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ARROZ DE FORNO DA VÓ JACIRA

Ingredientes: 2 xícaras (chá) de arroz cozido, 1/4 xícara (chá) de azeite, 4 dentes de alho picados, 1 cebola pequena picada, 500g de carne moída, +/- 500 ml de molho de tomate, 300g de queijo parmesão ralado grosso, 1 lata de ervilha, 1 lata de milho, 1 colher (chá) de cominho em pó, 1 colher rasa (chá) de pimenta do reino, salsa picada e sal à gosto.

Refogue o alho e a cebola no azeite até dourar, acrescente a carne e deixe fritar um pouco. Coloque o molho de tomate, a pimenta, o cominho e o sal e deixe cozinhar por 15 minutos. Acrescente a salsa e retire do fogo. Em uma tigela grande coloque o arroz, a ervilha, o milho, o queijo (reserve um pouco) e o molho, misturando tudo delicadamente. Acomode em um refratário, polvilhe com o queijo restante e leve ao forno bem quente por +/- 10 minutos. Sirva imediatamente.

PS.: como é possível perceber, essa receita serve várias pessoas.

Memória herdada!

Desde que conheço meu marido ouço ele falar da sopa de aveia da “vovó Mirette”,  e de tanto ouvir as descrições do sabor, cor e leveza do prato, quase que me “lembro” daqueles dias também! Ele tem lembranças muito vivas dos fins de semana na fazenda dos avós, e durante um bom tempo ele procurou na família alguém que soubesse a receita, mas só recentemente encontrou! Confesso que me senti com uma grande responsabilidade ao preparar essa receita, afinal, eram as lembranças de infância dele que estavam em jogo, mas acho que me saí bem! Adorei a sopa e posso afirmar que qualquer noite fria pode muito bem ser acompanhada dela! À minha nova lembrança!!

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SOPA DE AVEIA DA VOVÓ MIRETTE

Ingredientes: 1 cebola picadinha, 2 tomates maduros sem pele picados, 1 xícara (chá) de aveia, 2 dentes de alho picados, 1 colher (sopa) de manteiga, 1 litro de leite, 1 litro de água, sal à gosto.

Torre a aveia em uma frigideira e reserve. Em uma panela refogue bem a cebola e o alho na manteiga, acrescente os tomates e refogue mais um pouco. Acrescente a aveia e os líquidos, misture bem e acerte o sal. Depois que levantar fervura, deixe cozinhar por uns cinco minutos. Passe por uma peneira grossa ou bata no liquidificador. Sirva imediatamente e bem quente.

PS: que D. Mirette me perdoe, mas não resisti e dei meu toque, coloquei 1 colher (café) de noz moscada.